Democracia de palha
por Carolina Uchôa - A educação sempre foi e sempre será a arma mais poderosa, o bem maior de uma sociedade. Cresci ouvindo do meu pai que as duas coisas mais importantes pra formação do ser humano e as únicas que ninguém pode lhe tirar são a educação e a dignidade. Meu pai estava certo. É isso que nos dá sensibilidade pra discernir os antagonismos da vida, as incompatibilidades entre discursos e ações, buscar questionamentos sólidos e fazer valer nossos direitos. Nos deixam mais apurados, escaldados, cautelosos em nossas escolhas. Daí a pouca disposição e nulo interesse, por parte dos “nossos” políticos, para investir na educação do povo. Parece muito mais fácil manter a ignorância nas casas “miseráveis”. Assim a necessidade se faz eterna e os votos estão assegurados de quatro em quatro anos, quando são oferecidos mundos e fundos mascarados de alegria, maquiando a fome com cestas básicas, doses homeopáticas de cimento, tijolo servido em “conta-gotas”, sonho de casa própria.
Mas isso vai além das assembléias legislativas, câmaras etc. Passa dentro das nossas casas todos os dias através de canais abertos de TV (sem falar nos outros veículos de comunicação) , na maioria das vezes ligados a grupos políticos e que, por isso mesmo, mantêm sua programação medíocre e tendenciosa, colaborando com total “desserviço” a educação dos nossos filhos. E a força que a politicagem exerce sobre esses meios, formando uma verdadeira cadeia, me causa nojo.É patética, ridícula e sobretudo triste a atitude desprezível que os políticos brasileiros escolhem ter perante seus eleitores. Já nem sabem o que é vergonha.
Mas isso não é o pior. Pior é o voto ser obrigatório, quando se fala o tempo todo em democracia. Somos obrigados a votar, do contrário nossa vida pára, e a assitir novelas, sejam elas ficcionais ou reais, nas bancadas e tribunais da vida. Uma mais escandalosa que outra, a histórias vão se repetindo. Figuras nocivas vão e vêm como as ondas, apagando seus rastros no decorrer dos anos. E como palha assada, viram cinzas seus incêndios.
















Esse repúdio aos políticos nos leva a assumir algumas posições radicais. Sendo objetivo, quando discutimos a validade do “voto obrigatório”, numa primeira avaliação, somos levados a crer que seja um modelo açucarado feito na medida para garantir a permanência desse quadro vergonhoso da nossa democracia representativa. No entanto, num raciocínio menos apaixonado (não que eu não admire essas paixões) veremos que o processo de envolvimento e cooptação pela pilantragem ficará ainda mais facilitado. Nas eleições, sejam elas majoritárias ou proporcionais, diante dos números colhidos pelos institutos de pesquisa bastará amealhar um número ainda menor na feira livre de eleitores. A argumentação da articulista é corretíssima e é nela que está o melhor enfrentamento do problema. É cruel chegar a conclusão de que, embora exija mais trabalho e recursos é ela mesmo a Educação que pode reverter esse quadro com tantas repercussões malignas à nossa dignidade.
11/06/2012 às 10:41