Por Andre Luiz Costa (@RollouRock) - radiocultfm.com

bloco cru na praça xv - foto: gabriela garcez
Rio de Janeiro, segunda-feira de Carnaval, sol de rachar e muitos blocos na rua. Não é novidade que muitos fãs de rock não suportam o tum tum tum das escolas de samba e aproveitam estes quatro dias e meio apenas para descansar. Porém, este dia 20 de fevereiro seria diferente. Muitos rockeiros viram ali uma oportunidade de também aproveitar um pedacinho da festa e ouvir o que eles mais gostam, mesmo em época de samba, já que o Sargento Pimenta, que toca Beatles, estava marcado para as 14h e o Bloco Cru, que toca clássicos do Rock em versões carnavalescas, para às 18h. Seria perfeito, mas infelizmente só o segundo agradou a todos.
Sargento Pimenta
No Aterro do Flamengo, vários foliões fantasiados de John Lennon, Paul

sargento pimenta no aterro do flamengo - foto: reprodução facebook oficial
McCartney, Freddie Mercury, e até de pássaros do jogo Angry Birds. Era a hora do Sargento Pimenta, que além de se inspirar nos Beatles, deveria também se inspirar na pontualidade britânica dos garotos de Liverpool. A concentração, que estava marcada para o meio-dia, foi começar quase na hora do desfile, e o resultado foi uma hora de atraso debaixo do sol. Quem aproveitou mesmo foram os vendedores de cerveja e água. Além do atraso, ocorreram vários problemas técnicos (um dos integrantes estava levando choque o tempo todo), mas quando tudo isso foi resolvido, os caras mandaram vários sons dos Beatles e todo mundo se divertiu, certo? Errado, infelizmente. Quando resolveram os problemas, vieram as primeiras dos Beatles, que foram bem recebidas, mas logo depois, os Pimentas resolveram mandar também duas versões em português bem cansativas de “Ob-La-Di Ob-La-Da” e “The Ballad Of John & Yoko”. A primeira é o hino do bloco, que tem uma letra interessante e mistura vários nomes de clássicos dos ingleses, e a segunda tem uma letra fraca que tira um sarro com a crise européia, mas o maior pecado mesmo foi insistir nessas duas e repeti-las várias vezes durante a apresentação, o que deixou o show chato. E como se não bastasse, os intervalos entre uma música e outra eram enormes. Até quem não entende de bloco sabe que o som não pode parar. Em um desses “buracos” no repertório, os caras ainda resolveram inventar e cantar um trecho do funk “Rap das Armas” e o samba do Salgueiro de 93 (Explode coração…), o que pareceu para alguns um ato de desespero. Devemos lembrar que o Sargento Pimenta é um bloco novo que veio com uma excelente ideia, mas parece que ainda não caiu a ficha dos integrantes, que não perceberam que já estão entre os grandes do Rio. Os shows fechados estão sempre lotados e são muito elogiados, mas falta um pouquinho mais de organização na rua pra não fazer feio nos próximos anos. No fim do dia, a palavra mais lida na página oficial do bloco no Facebook era “decepção”. Ponto alto: as versões de “Twist And Shout”, “A Hard Day’s Night” e “All My Loving”.
Bloco Cru
Depois do balde de água fria, chega a hora do Bloco Cru. Entre as fantasias, várias camisas pretas eram vistas na multidão (aproximadamente 10 mil pessoas) que se formava na Praça XV, no centro do Rio. Mesmo com atraso, o público estava satisfeito com o DJ, que tocava Queen, Joey Ramone, Beatles, entre outros. Até que, finalmente, o Bloco Cru sobe ao palco com “Seven Nation Army”, do White Stripes. A partir daí, a vocalista Lu Baratz não teve muito trabalho pra dominar o público com sua bela voz. Foram clássicos e mais clássicos de bandas como The Clash, Radiohead, Rolling Stones, Secos e Molhados, Guns N’Roses, Ramones, AC/DC (com a presença de um Angus Young cover), e alguns nomes do pop como Cindy Lauper e Michael Jackson, todas em versões surpreendentes. Você já imaginou alguma vez que era possível sambar ao som de Nirvana? Pode parecer uma heresia, mas só quem estava lá consegue entender. Foi a hora de lavar a alma ao ouvir tanta coisa boa no meio do carnaval. O bloco levou nota dez (deeeeeeeez!!!) em tudo! Mas só pra ser chato, deixo aqui uma reclamação: Em um determinado momento do show, o guitarrista ameaçou tocar “Chop Suey” do System Of A Down, mas não rolou, e muita gente ficou esperando. Fica a dica pra um futuro set list.
Esperamos que nos próximos carnavais apareçam cada vez mais blocos como estes citados, que fogem do óbvio. Os pimentas tiveram seus problemas e com certeza isso vai servir de aprendizado, mas não podemos esquecer que a ideia deles é genial. E o Bloco Cru já marcou seu território! Vamos torcer pra que venham mais vezes durante todo o ano e voltem com tudo em 2013, se possível com mais tempo de apresentação. Fica a dica para os patrocinadores.